domingo, 18 de maio de 2014

POESIA: A CASA NA ÁRVORE

Parada lá na árvore
Um piso sobre os galhos.
Tomou forma sobre a forma
Madeira, pregos e retalhos.

Olhando assim sozinha,
Suave cercada de folhas.
Preenche o lugar envolvida,
Por braços de galhos a quem das escolhas

Integrada e vistosa,
Símbolo de pensamentos lúdicos.
Permeou cabeças pequenas,
Cresceu sob expectativa de um público.

Vazia parece paisagem,
Mas em instantes se farta de gente.
Gritos e sorrisos se espalham,
Inundando de sonhos o afável ambiente.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
18/05/2014
11:29h

Foto By: Aline Agostini

sábado, 3 de maio de 2014

POESIA: AQUELE QUE SEMEIA FARÁ A COLHEITA

Simples semear,
Na vontade que jogas a semente,
Mesmo um dia sem vontade
O fruto colherá.

Simples semear,
Se semeares contra o vento
Suas sementes podem se dispersar.
Há o risco assumido delas não germinar.

Simples semear,
Quem semeia consciente,
Felicita quando a planta brotar.
Ansioso pelo fruto certamente estará.

Simples semear,
Não semeando hoje
Não adianta esperar,
Fruto no amanhã não colherá.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
13:00h
03/05/2014.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

POESIA: VESTIMENTAS E OCASIÕES

Vesti-me de ódio e saí para a Guerra.
Subi as calças do rancor,
Apertei os cintos do amor,
Amarrei os cadarços da dor.

Vesti-me de afeto para amar a bela mulher.
Abotoei a camisa da alegria,
Calcei sapatos da simpatia,
Mas deixei de lado o chapéu da revelia.

Vesti-me da libido para acariciar o corpo quente.
Usei a camiseta da sedução,
Calcei meias da paixão.
Não usei suspensórios no coração.

Despi-me da vergonha para conquistar triunfos.
Dorso nu, deixei à amostra os desejos,
Expus o restante sem compaixão e medos,
Desnudo, sutil decisão, escorreu vaidades entre dedos das mãos.


Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
10:28h
21.04.2014

domingo, 20 de abril de 2014

POESIA: RIOS DA SAUDADE

Das salinas de minha face
Escorrem dois finos veios d'água,
Que se juntam em meu queixo
E gotejam as mágoas.

Os dois rios não disfarçam,
É saudade que se faz estampada.
Não só na face habita a covarde,
Mas o peito ela também invade.

E se a dor do profundo pesar
Insiste em molhar-me o rosto,
No peito seca e arde,
Transformando o que resta em desgosto.

Mas, basta um gesto seu,
Para disparar um alarde.
De meu peito a saudade se parte
Secando o veio d'água e florescendo felicidade.


Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
00:25h
21.04.2014

sábado, 24 de agosto de 2013

POESIA: DEVANEIO



Em um cantinho do quintal
Sentadinho e quietinho,
Brinca Vitor voltado para o muro
Parecendo preso, solitário e indefeso.

Em um cantinho do quintal
Sentadinho e ileso,
Devaneia Vitor estar em um castelo
Como um príncipe guerreiro.

Levanta ele, todo calmo e sereno
Pegando em uma das mãos um bastão pequeno.
Correr pelo quintal de chão de concreto
É apenas uma corrida para quem não olha de perto.

Mas, Vitor sabe que não pode vacilar
Está agora em meio a uma floresta escura
Que nada lembra a segurança de seu lar.
Golpeia Vitor, golpeia sem cessar.

A mamãe observa recostada na parede
O menino forte correr contente.
Vitor está em outro lugar,
Golpeando o vilão com espadadas potentes.

- Venha Vitor, vamos almoçar.
Neste instante o lúdico mundo se apaga em um piscar
Olha sério o menino para a mamãe a chamar
Em seguida abre um sorriso e salta no ar.

Ele vai em direção à mamãe dando sua mãozinha
Caminham juntos calmamente em direção à cozinha,
Mas Vitor olha mais uma vez para trás
E como um herói, encara o vilão prometendo voltar.



Silvio A C Francisco
Charqueada / SP
11:03h
24.08.2013




quinta-feira, 13 de junho de 2013

POESIA: PARA DENTRO DE SI

Para Dentro de Si:





Todos almejam subir ao monte, olhar de longe e contemplar o belo, viver o auge. Querem sentir os ventos, ver tremular sua bandeira hasteada, cravada no solo recém dominado, ver o inimigo de cima, tremer de emoção com os olhos lacrimejados. A juventude quer os louros, lauréis das lutas, desejam com vontade insana, emocionados, ávidos por uma vitória pura, a apetecida conquista pujante. Mas a juventude parece um cavalo despreparado, anabolizado, olhando-se para ela chegamos a sentir que sua força explode das entranhas, mas quando o tiro seco retumba aos ouvidos e as portinholas se abrem o que vemos é um puro sangue disparar como se fosse sua corrida mais importante e talvez seja mesmo, só que já nos primeiros metros fraqueja. Estremecer e murchar são os últimos fatos. O mais duro é que a derrota não os faz pensar, mas sim esbravejar, apontar culpados e buscar a desculpa que pareça mais convincente. Meras vítimas do imediatismo, não percebem que sucumbirão ao próprio ardor das chamas que acometem seus corpos quando desejam algo e só desejam. Sonhar é preciso, desejar é importante, mas transpirar, trabalhar e afligir-se com a estática é tão importante quanto. Sonho, almejo, me esforço, erro, choro, analiso, esfrio meu corpo, o frio da meticulosidade me domina, então planejo, elaboro e sou novamente tomado pelo calor, o tesão pelo resultado aflora por entre meus músculos, pulsante como deve ser. Eu faço... É doloroso tudo parece rasgar meu corpo, uma troca, às vezes quase injusta, muitas vezes o sonho cobra caro, mas eu pago e depois com o suor ou as lágrimas ou até mesmo ambos pingando o chão eu olho para dentro de mim, mais uma vez sinto ao meu redor o que é ser um vencedor. A sensação está por todo o lado, porque é exalada.







Silvio A C Francisco
Charqueada / SP
14/06/2013.
00:24h

segunda-feira, 13 de maio de 2013

POESIA: Na Derrota a Aprendizagem

Me esforcei, empenho e dedicação.
Ao final do percurso parecia tudo em vão.
A queda, o grito, urro de derrotado bicho.
Senti o amargo da derrota. Olhos úmidos de quem chora.
Por quê?

Vi o adversário comemorar.
Por meus olhos passaram todos os momentos...
Aqueles que anteciparam a luta e pareciam trazidos pelo vento,
Chorando descontente desejei o acalento.
Onde errei?

Já no meu recluso templo, parei!
Pensei, ouvi a mim mesmo.
Senti o último resquício do arrependimento.
Já frio era necessário parar e analisar.
Seria esse o sentido da derrota.

Mais calmo, com a adrenalina baixa, percebi:
Quem realmente aprende não é o que na vitória sorri.
Quem realmente aprende?
Posso ensinar por que vivi...
Realmente aprende, o que respeitosamente na derrota retira-se para refletir.



Silvio A C Francisco
Charqueada / SP
10/08/2010.
10:09