quinta-feira, 3 de março de 2016

POESIA: As Diferenças.

Há pessoas diferentes,
Que divergem em gostos,
Divergem nos rostos
E carregam opiniões distintas.

Há umas parecidas com as outras,
Aproximando-se pelas afinidades,
Sejam elas bondosas ou de maldade,
Mas o contrário também é verdade.

Há alguma solidez ao pensar que:
De fato alguns opostos se atraem,
Enquanto uns ou outros se distraem.
Muitos se atentam que a diferença é importante.

Se toda força fosse parelha,
Toda inteligência fosse igual,
Toda certeza fosse igual,
Estaríamos todos fadados a involução.

Sempre haverá uma verdade
Aguardando ser desmentida,
Deixando gente dolorida,
Pensativa e chorosa perdendo o chão.

Sempre haverá algo construído,
Aguardando a ruína,
Avassaladora e precisa,
Que permitirá uma fortalecedora reconstrução.

Seguir o que não se conhece é um risco.
Negar a diferença é sinal de estagnação.
Estagnar-se, talvez seja pior que correr na contra mão.
Observar a diferença ainda é uma boa forma de aprendizagem.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
03.03.2016
12:17h.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

POESIA: Intolerância Religiosa.

O que escrever, quando a intolerância em sua porta bater?
Eu preferia pensar em outras coisas mais construtivas,
Mas vou ter de abordar este assunto,
Graças às pessoas opressivas.

Então vamos lá...
Meditei, e pensei, ponderei para encontrar uma fórmula
De explicar de uma vez
A intolerância e o preconceito, que tanto me incomoda.

Vou pedir licença para usar os Dez Mandamentos Sagrados,
E tentar fazer com que entendam de vez, os alienados,
Que a paz e o amor é a única saída,
Para termos e sermos humanos melhores na vida.

Tanta gente cansada de saber que nenhuma placa entrará no céu,
Ainda assim continuam proferindo palavras de insultos,
Uns contra os outros, carregados de hipocrisia,
Afirmam que a sua religião é a única fiel.

Mas deixa de papo torto
E vamos endireitar de vez a conversa
Preste atenção que vai dar trabalho pra dizer tudo em rima...
Segue as Dez Leis que Deus passou para fazermos a coisa certa.

"Amarás ao teu Deus sobre todas as coisas" foi dito.
Então não venha com bobagem,
Pois somente temendo a Ele é que você entenderá de vez,
Que não pode haver outro, do contrário é só um mito!

"Não tomarás seu Santo nome em vão".
Veja que é tudo bem claro para que você entenda,
Por isso não jure em nome Dele,
Seja em céu aberto ou coberto por uma tenda.

"Guarde domingos e festas de guarda".
Vá adorar e orar a Deus que certamente,
Estando você com saúde ou doente,
Serás abençoado e sua vida de glórias ficará farta e andará pra frente.

"Honrar pai e mãe".
Preste atenção, não seja bobo,
O que se prega aqui é o respeito e a obediência,
Mas se os pais estiverem errados, sempre resolva no diálogo e coerência...

"Não matar".
A vida é uma dádiva,
Um presente do Altíssimo, nosso Senhor.
Se Ele nos deu, só Ele pode tirar. Não faça do simples, um terror.

"Não pecar contra a castidade".
Eu sei, nos dias de hoje as armadilhas são infinitas,
Ao invés de apontar o dedo para os outros, 
Vigie bem a libertinagem que pode estar em sua própria vida.

"Não Roubar".
Aqui em nosso país,
Um mandamento pertinente,
Já que esta é uma prática desde o mais simples até o presidente.

"Não levantar falso testemunho".
É engraçado, um falando do outro...
E para agravar as coisas tem gente que aumenta e mente,
Como se denegrir o próximo fosse algo que qualificasse a gente.

"Não desejar a mulher do próximo".
Um mandamento aos homens, mas que serve a mulher.
Qualquer um dos dois tem que saber,
O que se faz na mente pode virar algo contra você.

"Não cobiçar as coisas alheias".
Desejar o que o outro tem, parece que lhe convém,
Mas melhor seria
Se você aprendesse, que muito do que é do outro na sua vida jamais cabeira.

E aí estão Dez leis de Deus,
Serve para mim,
Para você
E para os filhos seus.

Mas veja bem que nenhuma mencionou religião,
E cada qual tem seus costumes,
Cabe a nós respeitar
E deixar a Deus que nos julgue.

Repare que todo mandamento
Direciona para uma coisa só.
Se você amar o próximo,
Em sua cabeça não haverá nó.

O julgamento é tentador,
E caímos sempre nesta armadilha.
Porém definitivamente,
Só Deus vai poder julgar com o peso certo, seus filhos e filhas.

Partindo disto, vamos ter mais atenção.
Seja dizendo com a boca ou
De forma escrita com letras garrafais,
Seja falando cara a cara ou pelas redes sociais.

Se eu não fizer para o outro o que não quero para mim,
Já será um ato de amor,
Gerador de uma corrente de benefícios
Que vai me atingir e nunca terá fim.

Por isso pense, repense e medite bem,
Para amanhã não ser ferido pelo que tens proferido.
E de suas próprias palavras,
Não virar refém.

A intolerância é fruto da ignorância,
Mesmo se você for ateu, faça o bem,
Para que tenha relevância a sua existência
E haja coerência nas escolhas do que te convém.

Aproveito e faço aqui minha confissão,
Eu erro muito, todos os dias, e por isso,
Aos que sofreram com meus erros, peço perdão, mas melhor do que isso,
Faço o compromisso de apontar menos os dedos e estender mais a mão.

No final de tudo, se houver um julgamento,
Deus que é justo,
Fará a seu contento a justiça,
Pesando o que você fez de bem para o outro em sua vida.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
29.02.2016
16:26h.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

POESIA: Uma Vida Carregando Outra.

O que há de especial é a vida,
Que especial como todas,
É celebrada ainda dentro de uma barriga.

O que há de amor,
Também há de expectativa.
Que aumenta com a espera, que muitas vezes parece infinita.

Dentre as sensações a sensação,
Quem diria que levar chutes,
Estranhamente seria tão bom.

Quem diria que olhos lacrimejariam,
Ao simples ouvir de um barulho,
Que de tão alto e intenso dá orgulho... O acelerado coração!

Uma vida carregando outra,
Simbologia de ser mãe e sua importância.
Que carrega mais que um filho, leva consigo o relevante da relevância.

E toda a magia da gestação é só um começo,
Muitas alegrias ainda virão,
E cada uma é tão valiosa que nunca terá um preço.

Vai mulher, vai ser o que tens pra ser,
Vai ser a cuidadosa cuidadora,
Que além de ensinar e proteger, vai novas coisas aprender.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
28.02.2016
14:22h.


- Photo by: Daniela B. Francisco - Charqueada / SP - 28.02.216 - Aline e o Heitor - 

- Photo by: Daniela B. Francisco - Charqueada / SP - 28.02.216 - Aline e o Heitor - 


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

POESIA: O Varal sob o Céu Negro e Estrelado.

Deitei em um colchão,
Jogado no quintal.
Acima de minha cabeça
Passavam pendurados,
Alguns poucos fios, que improvisados,
Cumpriam a missão de varal.

Já era tarde,
Passadas as horas da noite,
Começavam as horas da madrugada.
Em um céu enegrecido,
Forrado de pontos luminosos,
Minha mente efervescida se acalmava.

Não há como ficar ileso,
Sempre que se aprecia o céu noturno,
Cravejado das brilhantes estrelas.
Sua mente vai pensar no infinito,
Nas forças Divinas, nas existências...
Vai pensar em muito, vai ponderar sobre verdades e mitos.

Pendurei a primeira peça no varal...
Ainda deitado,
Sem ao menos esticar os braços.
Pendurei só para apreciar o seu balançar,
Mas não tinha vento...
Meu primeiro pensamento, suspenso sem tremular.

O objeto estrela, que fica lá,
Sem expectativas, cumprindo seu papel no todo.
A mercê da força gravitacional,
Faz giros entre giros em um eixo principal.
Quantas estrelas permeiam nosso meio?
Nosso meio espacial, nosso meio... Social.

Será que as estrelas sentem-se como o sol do próximo?
Como corpos inexpressivos?
Ou apenas vivenciam os empurrões e puxões, oriundos da força gravitacional?
Se chocam umas com as outras, isto é certo.
Com suas camadas superficiais rochosas, marcam e são marcadas.
Expostas camadas, protegem seu núcleo frágil, de fina taça de cristal.

Estendi mais uma peça..
Como era vasto o varal!
Não terei tanto para preencher o espaço.
Vou fazer o que posso... Isso, aliás eu já faço.
Preencho meus dias vazios com coisas vazias,
Adornadas com laços.

Será que um dia serei a estrela que desejo?
Muito embora, sei que já tenho o brilho que me é justo,
Por isso não adianta brigar com o mundo...
Mas vou gritar, de qualquer forma, gritarei,
Ainda que me doa e doa a quem ouvir.
Vou estender no varal do quintal, tudo que me convir.

E para que não pareça tudo sempre inerte...
Ao menos que venha uma brisa, um sopro,
Mas melhor será se for uma ventania,
Com sua força balançando as peças,
Levando consigo as preces e boas ideias.
Inspirando pessoas, todos os dias.

Silvio A. C. Francisco.
Charqueada / SP
22.02.2016
16:17h

- Photo by: Silvio A. C. Francisco - Charqueada / SP - 08.09.2013 -


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

POESIA: Conselhos Para os Outros e Lembrete para Nós.

Crer em si próprio,
Duvidar do óbvio,
Nos momentos certos,
Manter-se sóbrio.

Amar a vida e suas viradas,
Não esconder gargalhadas,
Não esquecer nunca,
De sempre beijar as pessoas amadas.

Preferir a bondade,
Praticar a caridade,
Buscar em você e nas coisas simples,
A felicidade.

Celebrar os amigos,
Superar dificuldades e perigos,
Ainda que seja difícil,
Buscar esperança enquanto estiver no mundo dos vivos.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
15.02.2016
12:37h.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

POESIA: Uma Vida Inteira Fugindo para Encontrar Tudo lá na Frente.

Quando você me disse,
Que o amor é uma crendice.
Um sentimento inventado,
Um produto comprado, uma ideia que surgiu.

Concordei com você, eramos jovens.
Experimentávamos de tudo e nada era suficiente.
As vezes havia frieza em beijos de língua,
Enquanto abraços e olhares eram ardentes.

Combinamos que o amor era um clichê...
E que clichês cabem melhor em nossos avós.
Amarramos um ao outro à nova abstração,
Daí por diante fizemos tudo juntos desatando alguns nós.

Juntamos o que tínhamos,
Não deu quase nada, mesmo assim vendemos.
Lembro dos olhos daquele cara, que comprou tudo.
Para nós eram àquela altura, apenas coisas juntadas.

Apertamos a mão do homem que comprava...
E quando nos viramos ele ainda falava do clima. Logo choveria,
Estava calor, mas nada que caísse sobre a gente nos deteria.
O amor é um escudo estranho, que fortifica ou esmaece a cada dia.

Olhamos para o homem,
E quando demos-lhe as costas, rimos em meio aos entreolhares.
Fizemos juízo de quem cria no amor, aquela invenção.
Seguimos nosso caminho, que certamente nos faria cruzar os mares.

Duas passagens de avião,
Para comer? Leite com café e pão na chapa.
Você, desapegada e no saguão do aeroporto, deitada no chão...
A cabeça repousada sobre a mala de mão.

Eu em pé olhando para a fila e vendo outras malas despachadas.
Depois de pouco tempo já estávamos no avião.
Sentados, ladeados nossos peitos arfavam cheios de emoção.
Quem nunca tivera antes viajado tão longe, agora veria do céu o que é imensidão.

Muitas horas, escalas e novo vôo,
Velho continente, ainda que preso ao aeroporto,
Escondia eu, o entusiasmo, enquanto você transbordava euforia.
Observei a felicidade verdadeira enquanto sorria.

Quando finalmente chegamos e os pés naquele chão botamos,
Suspiramos... Um misto de alegria e medo,
O que era nosso, cabia em uma mala de mão e numa outra um pouco maior.
Seguramos na mão um do outro e entrelaçamos os dedos.

Eu não sabia todos os seus segredos,
Nem você sabia os meus.
Caminhamos à procura de uma pousada,
Confiando, eu na sorte, você na bondade de Deus.

Achamos um lugar,
Nem de longe era um quarto de hotel cinco estrelas,
Mas tudo era novidade.
A grande janela do quarto já valia a pena.

A noite vencida pelo dia que nascia promissor
Ficou na minha lembrança.
Nossos instintos aguçados, permitiu a nós brincar...
Brincadeira que não cabe a crianças.

Tomamos o desjejum,
Precisava por os pés no chão. tentava tomar jeito...
Você não tomava de jeito algum.
Olhamos para a rua, desejando aventuras.

Saímos andando sem rumo,
Volta e meia eu a surpreendia com um beijo.
Até que em um lance inesperado,
Você me deixou sem jeito.

Tirou do bolso da calça jeans surrada,
Trocados, umas migalhas.
Comprou meia duzia de flores,
E as deu para mim, às risadas.

Inverteu a ordem,
Rompeu outro clichê.
Deu a mim belas flores,
Quando o normal seria eu dá-las a você.

Naquele instante,
Fizemos uma promessa,
Nos casaríamos,
Ficaríamos juntos, mas sem pressa.

Prometemos outras coisas mais,
Novamente evitar os clichês.
Você prometeu fidelidade a mim...
Eu, claro... Prometi corresponder.

Daí por diante,
Trabalhamos bastante...
Eu, fui vendedor e poeta,
Você, minha bela, professora e melhor amante.

O tempo passou... passou e passou bastante.
Conquistamos coisas inimagináveis,
Umas de amor eterno e imóvel,
Outras de amor inquieto e itinerante.

Como nós,
Que depois de muito, desejamos um clichê.
Voltar às nossas origens.
E ter um bebê.

Assim se deu mais uma etapa da vida.
Curamos algumas feridas e nos pusemos a sorrir.
Tudo para conseguirmos voltar.
Chegamos em nossa terra, prontos para um novo existir.

Logo você estava grávida,
Eu dei-te uma flor a cada mês da gestação.
Ganhava de volta um belo sorriso...
E as vezes um beijo em uma das mãos.

O tempo passou rápido,
Ainda assim,
Tudo aconteceu de uma forma que jamais vou esquecer.
Você que já havia me dado tanto, agora me dava um bebê.

Vivemos todos os medos,
Descobrimos segredos importantes.
Almejamos lidar com nosso filho de um jeito,
Mas a realidade nos fez viver algumas surpresas boas e outras maçantes.

E daí os clichês,
Tão temidos, por nós dilacerados e subvertidos.
Explodiram diante de nós.
E aprendemos a levantar e sacudir o pó.

Tudo isso nos fez pensar,
Meditar e refletir.
Achamos que vivíamos longe das fórmulas repetidas,
Mas de fato o que fizemos, foi disfarçar os clichês da vida.

Hoje, aposentados,
Mas ainda trabalhando... Este é o presente.
Ouvimos uns chorinhos, que nos levam aos prantos.
Há três "clichêsinhos", que nos deixam contentes.

Somos o clichê,
A repetição toma conta de nós.
Vivemos no clichê, distorcendo regras de pais e mães.
Isso por que vivemos tudo bem vivido antes, para hoje sermos avós.

E a vida é isso.Todas estas coisas,
É o que a vida tem a oferecer.
Você pode até viver algo novo e diferente, mas não vai se ver livre de vez ou outra,
Lançar mão de algo que alguém julga démodé.

O amor?
Como acabei de dizer...
Ele é dentre todas as repetições humanas, a mais bela.
Felizmente, o melhor dos clichês.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
29.01.2016
18:22h.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

POESIA: Despejar Coisa Boa em Caçamba de Entulho

Vou carregar no drama,
Tecer perfeita trama,
Enquanto um personagem ama
Outro, às vezes, apenas por diversão deita-se na cama.

Vou fazer barulho,
Correr o risco de despejar coisa boa em caçamba de entulho,
Quem dá o presente, demonstra o que sente,
Por que sabe o que há no embrulho.

Vou esperar com olhar seletivo, atento a suas ações...
Repousado sobre você, os olhos que captam reações.
Verei sua manifestação de alegria, fácil de notar.
Pensarei se foi mesmo verdade ou se fez tudo só para disfarçar.

Se acertei no presente,
Completo será seu deleite.
Do contrário, será mais um objeto esquecido,
Junto a outros deixados quase escondidos, no fundo de um armário.

E assim as expectativas vão se criando,
O relacionamento segue caminhando,
Ainda que um arraste o outro por longo trecho,
Para após um tempo sentir-se cansado o suficiente e realizar um desfecho.

Um pode ter divertido-se mais que outro,
O que não pode é nenhum dos dois terem se divertido ao menos um pouco.
Se não era verdade a reciprocidade,
Ainda que doloroso, melhor mesmo é que acabe.

E no fim, a coisa toda é assim!
Não é bom para mim, então ao menos, que a caçamba de entulho fique exposta.
Em algum outro dia, sentirei um calafrio e acordarei com alguém erguendo a caçamba...
E fazendo barulho, vai levar consigo, aquilo que iniciará outra trama.

Silvio A. C. Francisco
Charqueada / SP
26.01.2016
13:04h